ORQUÍDEAS não são parasitas. São capazes de sintetizar substancias orgânicas com base em inorgânicas e, portanto, conseguem produzir o seu próprio alimento.
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Só Orquídeas


  • Cattleya Hawaiian Wedding Song ‘Virgin’ HCC/AOS


    Texto, fotos e planta: Carlos Keller


    A flor das fotos ainda tem que melhorar um pouco para mostrar bem o que é a beleza dessa orquídea, mas a sua pureza já é visível. Este é um cruzamento entre Cattleya Angel Bells e Cattleya Claesiana, um híbrido pouco complexo.



    As espécies (todas albas) que tomam parte na sua genealogia são: Cattleya loddigesii (43.75%), Cattleya intermedia (25%), Cattleya Dolosa (walkeriana x loddigesii) (6.25%), Cattleya gaskelliana (7.81%), Cattleya mossiae (7.81%) e Cattleya trianaei (9.38%). O híbrido foi criado e registrado em 1982, pelo orquidófilo japonês, morador de Waianae no Havaí, Sr. Kodama. Este orquidófilo é especialista em híbridos simples, mas sempre muito delicados. O clone ‘Virgin’ recebeu um HCC de 77 pontos quando foi julgado em uma exposição em Beaumont, Texas, em 6 de junho de 1992.

    Carlos Keller
    Rio de Janeiro - RJ


  • Catasetum pileatum (‘Imperiale’ x ‘Oro Verde’)
    Texto, fotos e planta: Carlos Keller

    Este Catasetum de flores grandes é um cruzamento feito pelo Orquidário Bela Vista, de Assis, SP. Os dois clones matrizes são cada um de uma diferente variedade de Catasetum pileatum, cuja variedade tipo possui flores brancas, confundindo muita gente que pensa que é a variedade alba. O Catasetum pileatum ‘Imperiale’ é da variedade imperialis, cujas flores muito grandes possuem o interior do labelo cor de vinho. O Catasetum pileatum ‘Oro Verde’ possui flores verde maçã com o interior do labelo amarelo ouro. O meu que aqui está fotografado possui um pouco de cada um dos pais. O labelo é arroxeado como no imperialis e as sépalas e pétalas são amarelo esverdeadas como no ‘Oro Verde’.



    Este ano esta floração foi um pouco inferior que a do ano passado, pois a planta está precisando de replante, mas um segundo cacho está por vir do outro lado da planta. O vinho do interior do labelo desta vez ficou mais tênue e fragmentado, mas não menos belo. As flores são lindas e perecem feitas de porcelana.
    Carlos Keller
    Rio de Janeiro - RJ


  • Cattleya Chocolate Drop ‘Kodama’ AM/AOS

    Texto fotos e planta: Carlos Keller


    Este híbrido é bastante conhecido e acho que ele é o híbrido de maior sucesso dos tempos atuais, tanto de vendas quanto de premiações. É uma espécie de “ovo de Colombo” pois um híbrido primário sem ser registrado até a pouco tempo é coisa rara.

    Este é um cruzamento entre Cattleya guttata e Cattleya aurantiaca e ele foi registrado pelo tradicional Stewart Orchids de Natchez, Mississippi em 1965. O Stewart Orchids é um orquidário com mais de 90 anos de existência e até a pouco tempo operava em Los Angeles, Califórnia, no glamuoroso bairro de Hollywood.


    Esse cruzamento tão fácil foi refeito inúmeras vezes em diversas partes do mundo e uma vez que existe variação nas cores e forma das matrizes, o resultado também varia muito. Alguns exemplares possuem flores meio sem cor enquanto que outros possuem pétalas mais largas e labelo mais aberto.




    Atualmente já é possível refazer o cruzamento com matrizes albas e acredito que o resultado seria fantástico!


    Alguns clones premiados foram meristemados e o clone ‘Kodama’ a meu ver é um dos mais bonitos. O Sr. Kodama, o homenageado, é um japonês residente no Havaí, especializado em híbridos simples e delicados e provavelmente o clone ‘Kodama’ foi selecionado de um cruzamento refeito por ele desse híbrido. O que eu mais gosto no clone ‘Kodama’ são essas pétalas e sépalas pontudas que fazem o cacho floral parecer um ouriço e o labelo amarelo manteiga que faz um belo contraste com o vermelho escuro e ceroso das flores.


    A maioria dos clones de Cattleya Chocolate Drop possuem o labelo bege acinzentado. Chocolate Drop significa “gota de chocolate” mas muita gente escreve Chocolate Drops, pensando que é o drops, bala, o que é errado.


    O clone ‘Kodama’ recebeu um AM de 80 pontos da AOS em 08 de outubro de 1981 em Maui, no Havaí, mas também recebeu em outra ocasião um CCM/AOS de 87 pontos em Madison, Wisconsin, USA, que é um prêmio de cultivo, pois exibia na época 127 flores em 17 cachos! Não cortem divisões da sua Cattleya Chocolate Drop, pois quanto maior, mais bonita ela fica.

    Carlos.


  • HISTÓRIA - CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA HORTICULTURAL DAS ORQUIDÁCEAS - GÊNERO CATTLEYA - ESPÉCIE LABIATA LINDLEY
    Texto e fotos:
    Benedito Ângelo Lo Ré

    Quando comecei a me interessar sobre a Cattleya labiata, antes mesmo de comprar uma muda se quer, já estava adquirindo livros especializados no assunto. E assim fui lendo Lou Menezes, João Paulo Fontes e outros.
    Logo percebi a dificuldade em se achar uma classificação horticultural das labiatas.



    Comecei a conhecer
    colecionadores e grandes nomes da orquidofilia nacional como Erwin Bownke , Sergio Amoretty, Jose Sanches Alarcon, Roland Brooks Cooke, Roseli Cassola, Francisco Vanucchi, Ítalo Gurgel, Massato Ito, Ricardo Cruz, Augusto Köpp e muitos outros. Perdoam-me se esqueci do nome de alguém.
    Também não posso deixar de falar que uma grande ajuda veio das listas de discussões, principalmente da ‘Mundo Orquidófilo” a qual pertenço a anos. Foram muitos palpites, muitas brigas...etc. Mas no fim todos os palpites foram computados e analisados e muitos acabaram servindo de alguma forma.


    Logo começaram os problemas e eram muitos. Confusão nos dialetos regionais, confusão quanto a classificação pura mesmo, e muitas outras.
    Foi um trabalho árduo, tentar juntar nordestinos, paulistas e sulinos. Inicialmente começamos via internet, um escrevendo para outro.
    Em 2008 consegui reunir quase todos, na exposição de Rio Claro e de lá saiu o que se convencionou chamar de “A carta de Rio Claro”. Era o embrião, a base da nova classificação em âmbito nacional.
    Hoje, esta classificação é o que poderemos chamar de a mais aproximada da realidade para a Cattleya labiata.
    Espero que não seja a definitiva, e sinceramente acredito que novas estamparias de labelo e novos coloridos venham a surgir com o avanço da engenharia e biologia genética.


    Meu muito obrigado á todos aqueles que retiraram de si o manto da soberba e soube juntamente com outros chegar nesta classificação, simplesmente pelo amor a Cattleya labiata e a Orquidofilia nacional.
    Aproveito neste momento para agradecer a Carla Bettoni que com sua boa vontade e o verdadeiro espírito de orquidófila deu-nos a chance de expor aqui nossas idéias.

    Benedito Ângelo Lo Ré
    angelolore@gmail.com

    VEJA AQUI A CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA HORTICULTURAL DAS ORQUIDÁCEAS - GÊNERO CATTLEYA - ESPÉCIE LABIATA LINDLEY



  • CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA HORTICULTURAL DAS ORQUIDÁCEAS - GÊNERO CATTLEYA - ESPÉCIE LABIATA LINDLEY
    CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA
    HORTICULTURAL DAS
    ORQUIDÁCEAS

    GÊNERO CATTLEYA

    ESPÉCIE LABIATA LINDLEY

    CLASSIFICAÇÃO CROMÁTICA DA FLOR E
    CONFIGURACIONAL( OU ESTAMPARIA) DO
    MULTIFORMISMO DE SEU LABELO

    BENEDITO ÂNGELO A. LO RE
    ”Não é porque as coisas são difíceis que nós não ousamos;
    é porque nós não ousamos que elas são difíceis.”
    (Sêneca)


    Trata-se de uma classificação meramente com fins ‘horti-culturais’, onde as cores das flores e a estamparia dos labelos possuem diferenças marcantes, porém que se repetem formando assim verdadeiras famílias ou grupos bem delimitados.
    Será determinante para a classificação, o entendimento que dois pólos serão analisados. A somatória da análise desses dois pólos dará a classificação final.

    Primeiro, será analisado o labelo (conjunto de todos os lobos) de onde se extrairá a classificação configuracional ou de estamparia da flor.

    Segundo, será analisada a característica cromática das pétalas e sépalas da flor.

    LABÊLOS
    Trata-se do conjunto dos lobos superiores, laterais, anteriores ou frontal e inferior.
    Os diferentes desenhos que aparecem no labelo em sua maioria possuem nomes os quais são sugeridos conforme a semelhança de sua aparência.
    A classificação desses desenhos chama-se de configuracional ou estamparia.
    Os desenhos são denominados em português, minúsculo, sem aspas ou itálico e sempre no masculino, pois se trata de uma parte da flor denominada de labelo.
    Os desenhos representam dois grupos bem distintos, ou seja, o grupo do abelo típico e por isso chamado de ‘TIPO’, e o grupo de labelos com denhos diferenciados chamados de MULTIFORMES.
    Na ocasião de um labelo não ser típico nem ter um desenho previamente conhecido e denominado, será considerado de MULTIFORME ROPRIAMENTE DITO.

    GRUPOS
    Dividem-se em:

    Labelos típicos (ou tipo).
    Labelos multiformes (que apresentam desenhos, configurações ou estamparias diferentes da labiata típica).

    A) TIPOS

    É uma estamparia onde a mácula homogênea, geralmente de matiz purpúreo que se espraia por praticamente todo o lobo anterior e central, parando sempre na região de fauce, não adentrando a garganta e, portanto não atingindo ao átrio do tubo. Esta mácula é delimitada por uma estreita margem de intensidade mais clara nos bordos anteriores e laterais do lobo.
    O interior do tubo apresenta estrias purpúreas que depositadas sobre uma cor citrina ou áurea, faz listas que descem da coluna para atingirem tanto a fauce como as bordas inferiores dos lobos laterais.






    B) MULTIFORMES

    Multiformes são todos os labelos que, diferentemente das TIPOS, possuem desenhos que se repetem, ganhando assim alguma denominação .

    • MULTIFORMES PROPRIAMENTE DITOS

    Todo padrão de estamparia do labelo que mesmo não se assemelhando ao labelo tipo, também não apresenta uma forma ou desenho conhecido ou pelo menos aceito como tal.

    AS MULTIFORMES:

    • ORLADO

    O lobo anterior não apresenta a estreita margem do tipo, e a mácula se prolonga tingindo as bordas anteriores dos lobos laterais.

    • VENOSO

    O lobo anterior apresenta veias que se espraiam e bifurcam.

    • ESTRIADO

    Caracterizado por estrias que não se bifurcam no lobo anterior do labelo.


    • ESTRIADO-VENOSO

    Estrias e veias coexistem na estampa labelar.


    • OCULADO

    As cores básicas secundárias (branco ou amarelo) que podem existir nas junções dos lobos laterais com o lobo anterior do labelo são bem delimitadas e arredondadas, dando a impressão de óculos


    • LINEADO

    Uma única linha é localizada, dividindo o lobo anterior em duas metades


    • MOSCA

    Caracterizada por pequena mácula no centro do lobo anterior, da qual saem pequenas estrias ou veias, dando a impressão de estarmos vendo uma mosca, (se a mosca for muito magra ela deixa de ter a pequena mácula e passa a ser estriado-venosa).


    • MANDAIANO

    Aqui as estrias do interior do tubo não são visualizadas por estarem cobertas pelas cores básicas secundárias. (fenótipo raro).


    • ÁUREO

    Um anel da cor básica amarela (uma das fito-xantinas), interrompe as estrias do tubo do labelo, na altura do átrio ou garganta. (fenótipo raro).


    • ALBO MARGINADO

    Fenótipo descrito por Lindley no qual o labelo de uma flor sem cor básica primaria branco possui a cor básica secundária branca delimitando a mácula tipo.


    ATRO

    “Atro” quer dizer escuro, negro, tenebroso e aziago. Com este nome se da o tingimento do lado externo do cone ou tubo do labelo, geralmente acompanhando o seu matiz purpúreo.



    VARIEDADES CROMÁTICAS
    DA FLOR

    Variedades cromáticas são todos os tipos de combinações de cores que todo o conjunto floral pode apresentar, levando em conta a relação entre as cores das pétalas e sépalas.

    TIPICA OU TIPO

    A flor típica, em todas as suas nuances de cores, diversificando-se em rosa pálido até o mais escuro. As cores rosa pálido, rosa claro e suave somente tratam-se de variações do matiz róseo das típicas.
    Se aceita a denominação “Fantasia” e “Splash” quando ocorrem pinceladas mais escuras nas pontas das pétalas e sépalas
    Seu labelo pode-se apresentar com todas as combinações existentes nos multiformismos configuracional dos labelos da labiata.



    ALBA

    Para todo e qualquer efeito, todos os segmentos florais devem ser rigorosamente brancos, independente se a garganta (fauce) apresentar veia citrina ou áurea.



    AMESIANA

    Flores quase brancas, marcadas por um leve sopro róseo. Às vezes tão imperceptível que não se mostra em foto. O labelo tem uma mancha muito tênue, de um róseo pálido, às vezes um sopro cárneo. A fauce pode ter veias citrinas ou áureas.

    AMETISTINA

    As pétalas e sépalas são brancas ou podem apresentar um sopro extremamente tênue de rosa pálido. Marcante é a mancha longitudinal no labelo. Essa mancha tem uma característica em particular, a de apresentar dois veios purpúreos que sobem e adentram
    a fauce. Essa mancha tem colorido ametista.

    SEMIALBA

    Obrigatoriamente pétalas e sépalas brancas. Labelo apresentando um disco central purpúreo, cárneo, solferino, ardósio, cerúleo, rubi ou ametistino. Por isso separam-se as variações de semialbas, segundo a coloração do labelo, escrevendo-se em masculino a variação.
    Atenção : a denominação de Amoena é na verdade uma semialba cujo labelo apresenta apenas um sopro de um matiz cárneo muito leve.Mas tecnicamente não deixa de ser uma semialba.
    • Semialba ardósia
    • Semialba solferino
    • Semialba cárneo (antiga amoena)
    • Semialba rubi
    • Semialba Ametistino
    • Semialba tubular
    • Semialba cerúleo



    semi alba tubular


    RUBRA

    Nesta variedade o labelo é totalmente preenchido de um purpúreo muito escuro, por isso enominado de rubro. Duas características marcantes neste caso, uma que todo o labelo é rubro, inclusive a fauce e os lobos laterais. A segunda característica é que, nos demais segmentos florais mantêm uma tonalidade rubra, um pouco mais claro que o labelo, mas muito mais escuro que qualquer tipo, inclusive, em algumas rubras apresentam sopros de um púrpuro mais escuro nas bordas das pétalas.

    CERÚLEA

    As pétalas e sépalas possuem um leve matiz róseo. O labelo apresenta uma pintura roxo violeta, violeta, ardósia ou da cor da ametista.


    • CERULÁSCEO OU CERULESCENTE

    Procuramos nos termos da língua portuguesa a que mais se aplica ao significado para azulado. Sendo assim as duas palavras acima poderiam ser usadas, muito embora o Ceruláceo aparenta ser o mais aproximado para a ocasião.
    Ceruláceo: Aproveitando um sufixo nominal que indica semelhança e que é muito usado na terminologia botânica (violáceo, rosáceo, rubiáceo...).
    Cerulescente, o mesmo sufixo que gerou “fluorescente”, por exemplo. Expressa as noções de estado, qualidade, relação. A propósito: o dicionário abona o termo criado com a adjução desse sufixo ao vocábulo “azul”, que vem do Latim medieval. No Michaelis encontramos: azulecente (abolindo o “S” que aparece em fluoreScente, fluoreScência).

    CONCOLOR

    Todas as peças florais apresentam o mesmo tom. Independente desse tom, o importante é que não exista variação dentro da mesma planta. A fauce e a garganta pode ou não acompanhar o tom de toda a planta, ou ainda pode acompanhar o amarelo citrino, pois trata-se de fito-xantinas, presente nessa região de todas as labiatas.

    PÉROLA

    Aparenta ser uma Semi Alba, mas com um leve toque de rosa extremamente claro, quase imperceptível nas pétalas e sépalas Isto empresta á flor um aspecto nacarado devido aos cristais iridescentes que formam o pigmento das flores.