Quem adquire uma orquídea deve cuidar dela o mais próximo possível de como ela vive ao natural. Portanto, plante-a de um modo que imite as próprias condições do seu habitat.
Ressupinação das Orquídeas PDF Imprimir E-mail

reA ressupinação das orquídeas é uma das mais interessantes curiosidades que envolvem essas flores.

Na maioria das orquídeas, o botão floral cresce em posição vertical. Mais tarde, no entanto, ele se deita e faz a chamada ressupinação, um movimento de 180 graus, destinado a colocar o labelo na posição horizontal – como se fosse uma plataforma ou uma pista de aterrisagem – com vistas a facilitar ao máximo o trabalho dos agentes polinizadores.

Conforme explica a obra Orquilogoia Sul-Americana (2004), a ressupinação das orquídeas é um movimento que ocorre conforme indicado na figura de A a D. Os botões, que darão início às novas flores, sofrem um movimento de rotação de até 180º em torno do eixo de seu caule, promovendo uma torção do ovário no sentido indicado pelas setas na figura B. A figura D mostra o início da abertura das flores já com o labelo na posição inferior para ser polinizado.

Existem alguns gêneros de orquídeas, é verdade, como o EPIDENDRUM e o HORMIDIUM, cujas flores não fazem esse movimento. Por isso mesmo são de dispersão mais difícil, na medida que seus polinizadores precisam fazer verdadeiros malabarismos para visitá-las, descobrir a antera e levar o pólen das políneas para o estigma.

Em qualquer caso, se tudo der certo, após a polinização a flor se fecha. Aí, mal comparando, é como se estivesse grávida. O ovário começa a se desenvolver e, muito lentamente, em cerca de um ano, transforma-se num fruto do tipo cápsula, que conterá de trezentas a quinhentas mil sementes. Sementes diminutas, quase microscópicas, constituídas apenas do embrião, sem nenhuma substância nutritiva de reserva para vir a ser utilizada nas primeiras fases de um eventual desenvolvimento. Em todo caso, são sementes tão leves, que poderão facilmente ser carregadas a longas distâncias pelo vento.

fonte: Manual sem autoria "A Orquídea" e Orquidologia Sul-Americana de Pinheiro et al.

Sobre ressupinação, o orquidófilo Carlos Keller, em mensagem na lista Mundo Orquidófilo, expõe o seguinte:

Acho que a ressupinação das flores de orquídea deve ser encarada de uma maneira mais simples e prática. As flores de orquídea, com raras exceções, têm que estar com o labelo para baixo, pois o labelo é a pista de pouso dos insetos que vão polinizar a flor e ele deve estar portanto, confortável e convidativo ao pouso. Uma pista na horizontal é a mais confortável, uma vez que facilita e dá segurança na descida. Não sei como as flores sabem o que é em cima e o que é em baixo, mas a força da gravidade deve ter algo a ver com isso, já que flores que recebem luz apenas lateralmente também fazem a ressupinação corretamente. Orientação em relação à posição da raiz também não é o caso, pois as orquídeas também crescem em galhos verticais, com os pseudobulbos emergindo delas na horizontal. Deve ser mesmo a gravidade. Já a necessidade da ressupinação, se deve ao fato dos botões terem que formar uma massa agrupada em forma de gomo, para poderem emergir da espata sem se esfacelarem. Eles saem da espata agrupados como uma ponta de lança, barriga contra barriga em alguns, lateral contra lateral em outros quando o cacho floral tem muitos botões, enfim, eles tentam ficar encaixados entre si, tentando ocupar o menor espaço possível, para poderem abrir a espata e sair. Depois que eles saem, uns já na posição correta devido o local que ocupavam no grupo, outros de lado, outros de ponta cabeça, etc, eles começam então a se posicionar para ficarem todos com o labelo para baixo, à espera dos visitantes. Às vezes por problemas de cultivo, de clima ou de hibridação, isso não acontece, mas é um defeito O certo seria todas as flores se posicionarem com o labelo para baixo, lado a lado (com exceção das que não ressupinam por natureza, como as Prostechea, por exemplo).

prostechea
Prostechea Alemanii (site Pieter Brower)

Vai aqui uma dica de tutoramento: enquanto as flores não terminarem totalmente a ressupinação, vocês não devem apertar o arame ao redor da haste. Se o arame ficar apertado, ele atrapalha o ressupinamento, pois nesse período a haste se torce toda no próprio eixo e para isso ela não pode estar amarrada, presa, fixa a um arame. O que eu faço é tutorar os botões, que em alguns híbridos costumam ser muito pesados para as hastes, mas deixo uma folga, como uma mola ao redor da haste da flor. Com isso, consigo amparar os botões para as hastes não se quebrarem e também para a flor não abrir olhando para baixo. Depois que o ressupinamento estiver completo, eu volto lá e dou uma apertadinha no arame, para assim ele ficar justo ao redor da haste, deixando a flor firme na posição desejada. Carlos (Mundo Orquidófilo, 16/6/2008)