Um bom hábito para o orquidófilo é, nos dias quentes, molhar bastante o piso do orquidário sem atingir as plantas. A umidade que evapora do chão proporcionará equilíbrio para as plantas.
Eventos & Comunidade
OrquidaRIO 2008 - #5 PDF Imprimir E-mail

BIFOLIADAS E WALKERIANA

 
Exposição do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, OrquidaRio, setembro de 2008

por Carlos Keller
Rio de Janeiro - RJ
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Em matéria de bifoliadas dessa vez pouco se viu na exposição, com exceção da Cattleya intermedia e da Cattleya schilleriana, das quais já falei a respeito. A floração da Cattleya loddigesii aparentemente acabou e poucas Cattleya nobilior foram expostas. De Cattleya walkeriana, que embora não sendo bifoliada eu incluo aqui neste texto, só vi um exemplar bonito, vindo de São Paulo e em matéria de Cattleya violacea, eu levei uma muito bonita, mas que infelizmente de alguma maneira, teve na montagem do stand as suas flores arranhadas, o que prejudicou bastante a sua beleza. Vou mostrar abaixo as 3 Cattleya nobilior que achei serem as melhores:

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Cattleya nobilior amaliae do Orquidário Paulista, São Paulo.

 

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Cattleya nobilior tipo, do Caliman. Esta embora não fosse muito redonda, tinha uma ótima armação, a flor era enorme e a sua substância era muito firme e pesada.

 

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Cattleya nobilior (tipo x amaliae) ‘Fatal Attraction’. Esta foi levada por mim e é um cruzamento entre a Cattleya nobilior tipo ‘Don Rafael Wenzel’ e a Cattleya nobilior amaliae ‘Perfection’.

Não vi na exposição nenhuma Cattleya walkeriana espetacular exposta, o que é estranho, pois ainda estamos na época da sua floração. Sei que aqui no Rio de Janeiro essa espécie não se dá bem com o clima, mas como vieram orquidários de outros Estados, era de se esperar que algum deles trouxesse um lote bonito de walkerianas, como acontece todo ano. Mostro aqui a que eu achei a melhor delas:

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Cattleya walkeriana tipo ‘Athena’, da Elsa Kawagoe. Da AOSP de São Paulo.

 

Só vi duas Cattleya violacea expostas. Uma tipo comum e a minha ‘Muse’. Nenhuma variedade de cor foi exposta, infelizmente. Mostro as duas abaixo:

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Cattleya violacea tipo, do Orquidário Juliato, de Limeira, interior de São Paulo.

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Cattleya violacea ‘Muse’ FCC/AOS, de Carlos Keller, OrquidaRio.

 

Para finalizar quero mostrar aqui um híbrido exposto pelo Orquidário Paulista, de Cattleya nobilior, que saiu muito bonito e se pode ver as veias do labelo da nobilior amaliae ali representadas, inclusive no aquinado das pétalas. As flores eram do tamanho de um híbrido médio.

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Cattleya (nobilior amaliae x Margareth), do Paulista, São Paulo.

 
OrquidaRIO 2008 - #4 PDF Imprimir E-mail

Cattleya Intermedia

Exposição do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, OrquidaRio, setembro de 2008 

por Carlos Keller
Rio de Janeiro - RJ
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Este tópico é para falar de Cattleya intermedia. Essa cattleya foi a mais presente nessa exposição, pois estamos no pico da sua época de floração aqui na nossa região. De São Paulo (inclusive) para cima, as Cattleya intermedia que se cultiva são diferentes daquelas cultivadas no sul do país, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Existem dois aspectos a se considerar, um positivo e um negativo a respeito disso. O aspecto positivo é que aqui, pelos novos rumos que a Cattleya intermedia tomou, ela se tornou uma orquídea extremamente comercial e é vendida lado a lado com os Dendrobium Stardust, Dendrobium nobile, Oncidium Aloha, Lc. Trick or Treat e outras orquídeas comerciais destinadas ao público em geral. Vi pessoas aparentemente leigas em cultivo de orquídeas, saindo do Jardim Botânico com muitas Cattleya intermedia no porta-malas do carro. Isso significa vendedores felizes e orquidários comerciais faturando alto com a venda de uma orquídea espécie, o que é uma ótima notícia. Lá estavam lado a lado, exemplares bons e exemplares ruins, mas todos, devido à seleção das matrizes, possuíam flores muito coloridas, o que atraía compradores, os quais só queriam beleza e não estavam preocupados com a qualidade técnica. Sempre digo que a Cattleya intermedia é a orquídea neotropical com o maior número de recursos que existe, dada a grande quantidade de variedades que ela apresenta e principalmente ao aquinado das pétalas, que resulta em lindos flameados. Nem é preciso recorrer-se aos meristemas, pois qualquer sementeira dá exemplares manchados e com cores fortes, que acabam sempre sendo atraentes ao público comprador. Mando abaixo fotos de dois stands que mostravam intermédias:

 

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Estas eram do stand da Aranda, do Rio de Janeiro (Teresópolis).

Estas eram do Orquidário Oriental, de São Paulo (próximo da capital).

 

Como vocês podem ver, 90% delas são flameadas, muitas delas sendo orlatas ou marginatas. São flores muito rebuscadas, mas com a qualidade técnica baixa. A maioria era de plantas bastante coloridas, mas de forma apenas regular. As que vocês viram acima são as escolhidas entre as que estavam sendo vendidas, para serem mostradas na exposição. Mando abaixo a seleção que fiz de algumas delas em close:

 

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Cattleya intermedia aquinii da Aranda.

 

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Cattleya intermedia aquinii orlata caerulea da Rosário Braga da Quinta do Lago, do Rio de Janeiro, (Petrópolis).

 

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Cattleya intermedia flammea orlata, da Orchidcastle, do Rio de Janeiro (Petrópolis).

 

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Cattleya intermedia flammea orlata, filha da ‘Pintada do Tenente’ com uma aquinii, da Aranda.

 

São Paulo, através do pessoal da AOSP, um pouco mais conservador, trouxe alguns exemplares mais clássicos, como se vê abaixo:

 

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Cattleya intermedia orlata, exposta pela Elsa Kawagoe da AOSP, São Paulo.

 

Niterói surpreendeu com duas bem interessantes:

 

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Cattleya intermedia orlata, Mara Tagliari, da ASSON, Niterói.

 

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Cattleya intermedia tipo, Guilherme Salgado da ASSON, Niterói. Esta foi a minha preferida e na minha opinião uma planta de boa qualidade técnica.

 

O Caliman como sempre trouxe uma planta com flores gigantes e de boa qualidade:

 

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Cattleya intermedia marginata (estava etiquetada como orlata), do Caliman.

 

Enfim, vimos um show de cores e flameados de encher os olhos e com flores grandes em relação ao habitual. Eu disse mais acima que existe o aspecto negativo do que se cultiva hoje em dia por aqui. Esse aspecto é que em busca do mercado comprador, se produz cada vez mais plantas com apelo comercial e cada vez menos se busca a boa qualidade técnica. Flores redondas, planas e com muita substância, como as que são mostradas na lista pelo Carlos Gomes, Tiago Estevam, Augusto Köpp, (também quando mostra as do Otto Georg), Carlinhos Nikki, Amoretty e outros lá do sul, estão cada vez mais longe do que poderemos conseguir aqui no futuro. A evolução das intermédias por aqui seguiu um rumo diferente das do sul, o que para mim é uma pena, pois deveriam existir os dois em paralelo. Vejam abaixo algumas das do sul:

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(estas são fotos meramente ilustrativas, de plantas que não estavam na exposição)

 

Não sei se os cultivadores do sul se fecharam demais entre si, se o preço deles é alto demais para um mercado de não-aficcionados como é o nosso, se a venda das plantas ainda em seedling resulta em poucas plantas floridas para se vender nos quiosques das exposições, se esse tipo de intermedia com alta qualidade técnica tem um aproveitamento muito pequeno dentro da mesma sementeira, o que necessitaria o recurso da meristemagem caso se queira ter uma produção não artesanal; enfim, com as intermédias daqui seguindo por um caminho diferente das de lá, quem quiser Cattleya intermedia de boa qualidade técnica terá que ir ao sul buscar pessoalmente. Quem, no entanto, quiser uma Cattleya intermedia apenas bonita, muito bonita até, pode comprá-la a preços bem acessíveis nos quiosques das exposições da OrquidaRio. 

 
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